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TANALOGIA

MORTE: UM ENFOQUE HOLOGRÁFICO

Nossas crenças sobre vida e morte partem da premissa que elas são opostas. Esta é uma visão dualista, cartesiana e atualmente contestada e ampliada pela visão holográfica.As crenças passam a existir quando nos esquecemos que elas se apoiam em certos pressupostos sobre a natureza da realidade que funcionam como hipóteses. Conjunto de hipóteses criam modelos ou teorias e conjunto de teorias constituem paradigmas ( ALËM DO EGO).Um paradigma é uma espécie de teoria geral de escopo capaz de abranger a maioria dos fenômenos conhecidos do seu campo e fornecer-lhes um contexto.Construímos então nossas crenças, embasadas, até aqui em paradigmas dualistas dentre os quais destacamos o cartesiano cuja visão se caracteriza por:

o átomo é indivisível;
objetos são sólidos;
o mundo físico é estável;
o universo é mecanicista;
existe causalidade e determinismo;
a relação sujeito versos objeto;
a realidade é percebida pelos sentidos;
a observação é indireta;
afirma a verdade absoluta da forma;
o conhecimento é fragmentado;
a consciência depende da estrutura cerebral fixa;
a relação básica é ou/ou (ALËM DO EGO E DINÂMICA ENERGÉTICA DO PSIQUISMO).

Nos tornamos assim crentes: o paradigma adquire um tremendo, mas não reconhecido, poder sobre os que eles aderem, estabelecendo-se um vínculo estímulo - resposta, uma condição em que nós só somos capazes de admitir nossa própria teoria por parecer evidente que não pode ser de outro modo. Denomina-se esta condição de fixação do paradigma.A morte se constitui o oposto da vida, segundo o paradigma cartesiano. Torna-se um fenômeno aterrorizante, repulsivo e desconhecido. Dor e medo são os sentimentos básicos predominante nesta relação. Constitui-se então um tabu, um preconceito, sobre o qual é proibido falar, confrontar e até mesmo pensar, principalmente quando nos confrontamos de forma consciente com sua proximidade, por acidente, doença e velhice, seja em nós mesmos ou nos outros.Ultrapassando a visão dualista, alcançamos a visão holográfica do homem: O HOMEM É UM SER MULTIDIMENSIONAL. Pelo menos quatro dimensões são conhecidas: a física, a emocional, a intelectual e a espiritual, que interagem entre si e se sobrepõem.Como ser multidimensional, o homem vivencia a sua morte em todas as suas dimensões. Esta compreensão só é possível se nos permitimos tomar consciência da nossa própria dualidade, da estratificação de nossos pensamentos e admitirmos que o observador é o próprio observado, isto é o sujeito é o objeto.A condição necessária para o alcance desta visão é tornarmo-nos pessoas flexíveis aberta à natureza fluída da consciência de que nós todos somos um com os outros e todas as coisas.O enfoque holográfico da morte consiste em ampliar a consciência permitindo uma mudança de atitude em relação à morte e ao processo de morrer em suas múltiplas dimensões, ao mesmo tempo, promovendo assim uma maior dignidade na vida e na morte aos profissionais, clientes e seus familiares e a todas as pessoas que assim o quiserem.Deste ponto de vista, morte e vida são a mesma coisa, o que se constitui uma nova e impressionante visão da realidade.O paradigma holográfico demonstra como isso é possível. Os principais representantes são os eminentes pensadores, o físico DAVID BOHM e o neurofisiologista KARL PRIBRAM, que propõem uma nova conceituação da matéria, inspirada no principio da holografia, a reprodução tridimensional de imagens por laser, segundo o qual todo o universo não passaria de um holograma gigantesco, um tipo de imagem criada pela mente, contendo tanto a matéria como a consciência na forma de um único campo.( TALBOT - UNIVERSO HOLOGRÁFICO).Esta visão possui as seguintes características:

estruturas subatômicas;
impermanência da forma;
transformação constante;
probabilidades;
universo das incertezas e paradoxos;
interrelação dos campos;
análise dos efeitos;
interação do observador;
correlação com a experiência;
o todo é maior que a soma das suas partes;
expansão da consciência e suas alterações;
relação com ambos: Yin e Yan.(DINÂNMICA ENERGÉTICA DO PSIQUISMO)

As idéias mais estonteantes e avançadas de todas propostas por BOHM são sobre a totalidade. Considerando que tudo no cosmo é formado de tecido holográfico contínuo da ordem implícita, ele acredita que não tem sentido encarar o universo composto de "partes" assim como considerar os diferentes gêiser numa fonte como separados da água da qual fluem. EINSTEIN já havia surpreendido o mundo quando disse que o espaço e tempo não são entidades separadas mas estão suavemente ligadas e são parte de um todo maior que el chamou de contínuo espaço-tempo. BOHM dá um passo gigante à frente desta idéia pois afirma que tudo no universo é parte de um contínuo. Apesar da aparente separação das coisas a nível explícito tudo é uma extensão contínua de tudo o mais, e no final das contas até as ordens implícita e explícita misturam-se uma à outra. .( TALBOT - UNIVERSO HOLOGRÁFICO).BOHM adverte que isso não quer dizer que o universo é uma massa indiferenciada gigante. As coisas podem ser parte de um todo indivisível e ainda ter suas próprias qualidades únicas. Ele utilizou a seguinte experiência:

quando um pingo de tinta é colocado num jarro cheio de glicerina e um cilindro dentro do jarro é girado, a tinta parece se espalhar e desaparecer. Mas, quando o cilindro é girado na direção oposta, a tinta se junta de novo em forma de pingo.

BOHM usa este fenômeno como um exemplo de como a ordem pode ser tanto manifesta (explícita) como oculta (implícita).( TALBOT - UNIVERSO HOLOGRÁFICO.Desta forma, acredita BOHM, que a consciência é a forma mais sutil da matéria e a base para qualquer relação entre as duas está não em nosso próprio nível de realidade, mas no fundo da ordem implícita. A consciência está presente nos diversos graus de encobrimento e descobrimento em toda a matéria, que é talvez a razão pela qual o plasma tem algumas características das coisas vivas: "a capacidade de a forma ser ativa é o aspecto mais característico da mente, e temos algo semelhante à mente no elétron". TALBOT - UNIVERSO HOLOGRÁFICO.Saindo da física e transportando esse conhecimento para a psicologia perene, WILBER afirma que "a personalidade humana é uma manifestação ou expressão, em múltiplos níveis, de uma única Consciência, da mesma maneira como, na física, se considera o espectro eletormagnético como uma expressão de múltiplas faixas de uma única onda eletromagnética característica". De modo mais específico, o Espectro da Consciência é uma abordagem pluridimensional da identidade do homem; isto é, cada nível do espectro é marcado por sentido de identidade individual distinto e facilmente reconhecível, que se estende, por várias gradaçòes ou faixas, da Identidade suprema da consciência cósmica ao sentido de identidade drasticamente estreito que está associado com a consciência egóica.. As cinco dos principais níveis ou faixas da consciência são:

O NÍVEL DA MENTE - é o que existe e tudo o que existe, ilimitado e portanto infinito, intemporal e portanto eterno, fora do que nada existe. Nesse nível o homem se identifica com o universo, o Todo - ou melhor, ele é o Todo. Esse nível não é um estado anormal de consciência, nem um estado alterado de consciência, mas o único estado de consciência real, sendo os outros, essencialmente, ilusòes...Em resumo, a consciência mais recôndita do homem é idêntica à realidade última do universo. Esse é pois, o Nível da Mente, da cosnciência cósmica, da suprema Identidade do homem.

AS FAIXAS TRANSPESSOAIS - representam a área supra-individual do Espectro, onde o homem não tem consciência de sua identidade com o Todo e, no entanto, não tem sua identidade confinada aos limites do organismo individual. Nessas faixas os arquétipos... ocorrem.
O NÍVEL EXISTENCIAL - aqui o homem identifica-se apenas com o seu organismo psicofísico total que existe no espaço e no tempo, pois esse é o primeiro nível em que a linha entre o eu e o outro, o organismo e o ambiente, é firmimente traçada. É também o nível em que os processos de pensamento racional do homem, bem como sua vontade pessoal, começa a se desenvolver.

O NÍVEL DO EGO - nesse nível, o homem não se sente diretamente identificado com o seu organismo psicossomático. Em vez disso, por uma variedade de razões, ele se identifica apenas com uma representação ou quadro mental mais ou menos preciso do seu organismo total. Em outras palavras, ele se identifica com o seu Ego, com sua auto-imagem.

O NÍVEL DA SOMBRA - sob certas circunstâncias, o homem pode alienar vários aspectos da sua própria psique, desindentificar-se deles e, portanto, restringir sua esfera de identidades a partes do ego, a que podemos referir-nos como a persona. Trata-se do nível da sombra: o homem identificado com uma auto-imagem empobrecida e imprecisa, enquanto o resto de suas tendências psíquicas, consideradas muito dolorosas, "ruins" ou indesejáveis, é alienado como conteúdo da Sombra

Todas essas considerações nos levam a questionar a atual assistência de saúde prestada aos clientes terminais e família, bem como a postura e atitudes dos profissionais que o assistem. Na busca de um modelo que se adequasse aos novo paradigma holográfico, a ITAI, implantou a assistência "hospice" abrindo o espaço para uma mudança de atitude em relação a morte e o processo de morrer. Esta assistência é realizada por uma equipe multidisciplinar de forma integrada no âmbito domiciliar, ambulatorial e hospitalar, pois o "hopice se caracteriza por:

enfatiza o cuidado nas dimensões; física, emocional, mental e espiritual uma vez que a cura é inatingível;
ajuda no alívio dos sintomas e visa o conforto global do sofrimento que sobrevém no curso da doença, morte e luto;
ameniza a dor total, não só a dor física;
promove a melhoria da qualidade de vida: não se prolonga inutilmente e nem se abrevia;
afirma a vida reconhecendo o morrer como um processo natural, quer seja ou não resultado de doença;
alivia a solidão do morrer.

Os elementos básicos são:

administração dos cuidados aos clientes por uma equipe multidisciplinar treinada, cujos membros se comuniquem regularmente entre si:
controle efetivo dos sintomas comuns da doença terminal, especialmente a dor e seus efeitos;
reconhecimento do cliente e família como uma unidade única de cuidados;
um programa ativo de cuidados em casa.

Compreendemos que desta forma podemos promover a dignidade na morte, entendendo a dignidade:

não sofrer ou passar por sofrimentos intensos que faz o cliente clamar contra o mundo;
poder escolher onde morrer;
ter alguém para ouvir as expressões de sentimentos e emoções sobre a morte próxima;
incluir e respeitar o cliente em todas as decisòes a respeito do seu caso;
responder com sinceridade as perguntas;
manter a individualidade do cliente;
não julgar as decisões do cliente contrárias as crenças dos profissionais;
aumentar as experiências religiosas ou espirituais;
respeito ao corpo após a morte;
compreender as necessidades dos clientes e família e ser capaz de ter alguma satisfação em ajudar o outro a morrer;
considerar a morte o último importante acontecimento.

 
 
 
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