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MONOGRAFIA

ÍNDICE

Resumo

1 - Introdução

2 - O Conhecimento e a sabedoria do Animal de Poder

2.1 - Animal de Poder
2.2 - Conhecimento e Sabedoria

3 - O Cérebro Reptiliano Expressa o Animal de Poder

4 - A Aceleração do Fluxo Energético pelo Animal de Poder

Bibliografia



RESUMO

Esta  monografia se propõe a relacionar como o Animal de Poder, expresso no cérebro reptiliano, e as técnicas aprendidas e vivenciadas neste Instituto, facilitam o acesso ao Saber intuitivo e sensível do Ser Humano para a expressão cotidiana da Consciência Maior.

Propõe-se ainda a compreender a extensão deste Saber Intuitivo e Sensível, incluindo a visão filosófica e xamânica, desde as defesas inerentes ao Ser Humano até a sua conexão com a Consciência Maior.

O Animal de Poder é um Guia Pessoal, formado por um ou mais espíritos de animais que vivem em nós e com os quais podemos nos comunicar, segundo as tradições indígenas com as quais convivi.

A descrição do cérebro reptiliano permitirá a compreensão racional do percurso corporal que o Animal de Poder faz e do qual podemos ter consciência.

O Animal de Poder, presente e consciente nas atitudes cotidianas através da manutenção deliberada da respiração corporal, traz de volta as percepções sensoriais básicas, instintivas, corporais e intuitivas, refazendo o conhecimento interno, permitindo a cura do trauma e a continuidade do fluxo energético para uma nova elaboração das crenças e, consequentemente, das atitudes frente à vida. Assim, pode-se expressar a Consciência Maior no cotidiano todo o tempo.  




1. INTRODUÇÃO

O Xamanismo, em sua totalidade, está incluido na perspectiva geral das religiões: isso já declara sua margem de imperfeição, de aproximação e os riscos que assume. Situa-se ainda no estudo etnológico, sociológico, antropológico e psicológico. Parte integrante da Psicologia Transpessoal, o Xamanismo é a cura pela magia, em estado ampliado de consciência, entendido por magia a atuação consciente e deliberada na teia do fluxo energético.

O Xamanismo é precisamente uma das técnicas arcaicas do êxtase, ao mesmo tempo mística, magia e “ religião” no sentido amplo do termo. Xamanismo = Técnica do Êxtase.

Êxtase – arrebatamento íntimo, enlevo, arroubo, encanto.

Sendo médico, psicoterapeuta, xamã, aluno deste Instituto e encantado com a Vida, eu venho constatando, na minha vida e na vida dos clientes que a mim honram com sua confiança, o quanto o uso consciente dos Animais de Poder e as técnicas aqui vividas e aprendidas, auxiliam a rever os traumas, a resignificar a vida, a desobstruir o fluxo energético vital e contatar a Consciência Maior.

Honro e agradeço às pessoas que, em sua forma de amar, colaboraram nos traumas de minha vida; honro ainda os traumas que me fizeram crescer e me fazem ser único, como uma árvore que cresce ao redor de seus ferimentos passados, o que contribui para a sua deliciosa individualidade; e honro também a coragem de poder rever os traumas, resignificar minha vida, desobstruir o meu fluxo vital e ser testemunho da Consciência Maior em mim.

Honro ainda as pessoas no meu caminho que nisso muito me ajudaram: Célio e Selma, Ari e Lourdes, Elisabeth Kübler-Ross, Aidda, Theda, Teresa, Vilma, Eileen ‘Wolf Woman Warrior’, Elmer Running, Ed McGaa ‘Eagle Man’, JoAnne e John, JoAnna, Eduardo e Cristina, Flávio, Dalmo e a todos os meus clientes e amigos que fazem parte desta Jornada.

Em especial honro e agradeço a Maria Fernanda, companheira e amiga de todas as horas.  




2.O CONHECIMENTO E A SABEDORIA DO ANIMAL DE PODER
2.1. ANIMAL DE PODER

          O Animal de Poder é um Guia Pessoal, formado por um ou mais espíritos de animais que vivem em nós e com os quais podemos nos comunicar, segundo as tradições indígenas com as quais convivi. Várias tradições nativas do mundo falam sobre Animais de Poder. O fio que alinhava estas tradições é que animais trazem para nós importantes mensagens de vida para o nosso bem estar, assim como qualidades pessoais das quais ainda não tomamos consciência.

A figura do Animal de Poder é um instrumento de grande ajuda para entrarmos em contato com algumas energias internas. Pode se dizer que o Animal de Poder é nossa parte material, nossa parte terrena e, ainda para os nativos, é parte concreta para o caminho do contato com o Grande Espírito. Receber guiança dos nossos Animais é receber guiança direta de Wakan Tanka, o Grande Espírito.

Os Animais de Poder estão em direto contato com nossas expectativas e desejos.  Eles podem dar suporte ou nos alertar sobre o caminho de vida que estamos seguindo. Eles podem simplesmente nos mostrar o próximo passo neste caminho, quando estamos perdidos ou confusos.

Segundo as tradições indígenas, cada Ser Humano tem pelo menos um espírito de animal que o acompanha:. este Animal de Poder nos dá de presente suas qualidades, para que possamos percorrer nossa trajetória de vida com um pouco mais de facilidade. Através de suas qualidades instintivas e selvagens o animal mantém contato direto com suas origens, do que nos faz concluir que, ao contatarmos nossa parte instintiva, estamos nos ligando à nossa Essência.

Estas qualidades são, em geral, qualidades que possuímos mas que ainda não sabemos ter, ainda não re-conhecemos em nós. No contato com os Animais de Poder, eles despertam em nós estas qualidades para que possamos desenvolvê-las, usando-as conscientemente.


2.2. O CONHECIMENTO E A SABEDORIA

Como “ saber” ou como “ conhecer”?

Como saber qual conhecimento é verdadeiro?

Sempre que nos indagamos a respeito do conhecimento estamos, automaticamente, tratando do problema da Verdade.

O conhecimento é resultante da relação que se estabelece entre o sujeito que conhece e o objeto a ser conhecido. O campo morfogenético possibilita a dinâmica da troca do Saber entre o Ego e o Self, entre o Eu e o Outro e entre o Eu e a Consciência Maior. Por sermos, em Essência, UM SÓ, a Verdade está disponível neste campo morfogenético, com suas inúmeras possibilidades.

São três as principais razões por quê necessitamos conhecer:

conhecer para satisfazer a curiosidade
conhecer para se sentir seguro
conhecer para transformar

  Conhecer é, para o ser humano, uma questão de sobrevivência. Conhecendo o meio, o seradapta-se a ele e o transforma.

Conhecer e manter um contato consciente com nossos Animais de Poder permite Saber. Saber o que se Sabe é se apropriar da sabedoria e da qualidade disponíveis. Alinhados desta forma com o fluxo divino, transformamos nossa realidade. Ao transformar a realidade, concretizamos a condição humana de Co-Criador Dinâmico, Uno com a Consciência Maior.

Há muitos modos dese conhecer o mundo, que dependem da postura do sujeito frente ao objeto de conhecimento: o mito, o senso comum, a ciência, a filosofia e a arte.

Conhecemos o nosso ambiente e a nós mesmos através da inteligência corporal, organizada e decodificada pelo Sistema Nervoso. A razão humana, conectada diretamente às sensações e emoções, através da intuição e do discurso, permite o conhecimento: o sujeito capta as características e propriedades do objeto, formando dele uma imagem mental. Por meio desta imagem, o sujeito apodera-se de características e qualidades que antes pertenciam apenas ao objeto.

É a assimilação de propriedades e características do objeto que nos permite o entendimento e a explicação da realidade. Por isto, quanto mais semelhantes forem a imagem e seu respectivo objeto, maior será a objetividade do conhecimento.

Quanto maior a vivência das sensações corporais, quanto mais presente no corpo físico, quanto maior for a permissão de experimentar os sentimentos e quanto mais a razão se basear nessas sensações e emoções; maior será o contato com o Animal e mais livremente a Consciência Maior se expressará no cotidiano.

De maneira muito resumida, podemos afirmar que existem duas formas básicas de Saber: a intuitiva e a discursiva. Para este estudo, nos deteremos no Saber intuitivo.

Apreende-se o Saber também pela intuição, o saber intuitivo é  uma forma de conhecimento imediato, isto é, feito sem intermediários, um pensamento presente ao espírito. A intuição é importante, por ser o ponto de partida do conhecimento, a possibilidade da invenção, da descoberta, dos grandes “ saltos do saber humano”. A intuição pode ser sensível, inventiva e intelectual.

O Saber Animal, diretamente ligado ao saber intuitivo sensível, através da respiração consciente e da inteligência corporal, concretiza a objetividade do conhecimento, permitindo que o Poder inerente ao Saber alinhe todo o organismo para a utilização deste Poder no cotidiano.

Todo este Saber do cérebro reptiliano aflora mais facilmente à consciência, se tivermos a coragem de utilizar o Animal de Poder através de vivências corporais, Jornadas xamânicas, exercícios de visualização ativa, de dançar o Animal, enfim, de ter consciência do Animal na mente e no corpo para contatarmos os bloqueios e os traumas,  em decorrência dos quais o percurso do fluxo energético foi obstruído e resignificar estes traumas,  levando à desobstrução do fluxo, permitindo que sejamos mais inteiros e possamos assumir as rédeas da jornada rumo à Unidade.

O VERDADEIRO SABER SE FAZ, PORTANTO, PELA LIGAÇÃO CONTÍNUA ENTRE INTUIÇÃO E RAZÃO, ENTRE O VIVIDO E O TEORIZADO, ENTRE O CONCRETO E O ABSTRATO.  




3. O CÉREBRO REPTILIANO EXPRESSA O ANIMAL DE PODER

O Animal de Poder , como uma parte de nós , vive e se expressa no corpo humano . Contatar e conversar com este Animal , movimentar-se com ele , dançá-lo, exige uma experimentação sensorial . Experimentar o sensorial é vivenciar o cérebro reptiliano.

A teoria do cérebro triuno, desenvolvida por Paul MacLean, chefe do Laboratório da Evolução do Cérebro e Comportamento , do Instituto Mental dos Estados Unidos, nos obriga a olhar para nós mesmos e para o mundo através de olhos de três mentalidades completamente diferentes , duas das quais sem o poder da fala : o reptiliano e o límbico.

O cérebro humano consiste em três estruturas funcionais biologicamente interligadas, cada uma com sua própria inteligência , sua própria subjetividade, sua própria noção de espaço e tempo , suas próprias funções motoras, de memória e outras. Os três cérebros são o REPTILIANO, que provavelmente evoluiu há centenas de milhões de anos ; o LÍMBICO, que provavelmente evoluiu há mais de cento e cinquenta milhões de anos ; e finalmente o NEOCÓRTEX, que provavelmente evoluiu há várias dezenas de milhões de anos . Esta divisão estrutural é funcional e didática , uma vez que o ser humano é um todo indivisível . Para efeito deste estudo , nos deteremos no cérebro reptiliano, para uma melhor percepção do Saber que este contém.

O Sistema Nervoso Humano tem,  entre outras muitas funções e talvez como básica,  a de permitir a relação entre organismo e ambiente, entre sujeito e mundo. Para realizar estas diferentes atividades, o Sistema Nervoso é dividido em dois componentes distintos: o componente sensorial - registra e analisa a natureza das condições em torno e no interior do corpo; e o componente motor- controla os músculos e as secreções glandulares, realizando a resposta adequada ao estímulo recebido.

O componente sensorial atua por meio dos sentidos da visão , da audição , do olfato , do paladar e do tato . O sentido do tato é, na realidade , formado por vários sentidos diferentes , uma vez que podem ser registrados o contato leve , as pontadas de alfinetes , a pressão , a dor , a vibração , a posição das articulações , o grau de tensão dos músculos e a tensão exercida sobre os tendões . Os toques sutis na pele podem trazer à memória consciente toda uma circunstância já vivenciada e não mais lembrada. Uma vez que a informação tenha sido transmitida ao cérebro pelos sentidos , este organiza que resposta ou movimento , caso algum deva ser   executado,  é o mais adequado; em seguida , num sistema complexo , os músculos ou glândulas são chamados à atividade para o desempenho da decisão tomada . Ao chegar à medula espinhal , os sinais sensoriais são transmitidos ao cérebro por duas vias principais :

O SISTEMA DORSAL – as sensações trafegam por fibras nervosas de grande calibre , que , ao chegarem à medula , imediatamente se dividem em dois ramos : um termina na substância cinzenta medular , provocando atividade local e reflexos medulares, enquanto   o  outro   se  dirige  para   cima ,  passando  pelas  colunas brancas dorsais e ascende até os níveis inferiores do BULBO , alcançando o CÓRTEX SOMESTÉSICO, localizado nos dois primeiros centímetros do córtex parietal , por trás do sulco central .

O SISTEMA ESPINOTALÂMICO – as sensações trafegam por fibras menores , situadas nas colunas anterolaterais. A maioria de suas terminações é de terminações nervosas livres . Após penetrarem na medula espinhal , terminam quase imediatamente nas pontas posteriores da substância cinzenta medular . Aí fazem várias sinapses e ascendem pelo lado oposto da medula até o TÁLAMO. Ramificam-se muitas vezes quando chegam ao TRONCO CEREBRAL , terminando na Substância Reticular , indo daí ao CÓRTEX .

 A distinção da transmissão de sinais sensoriais pela via dorsal   e  espinotalâmica pode ser assim descrita:

DORSAL ESPINOTALÂMICA
Velocidade de condução: 30 a 110 m/s Velocidade de condução 10 a 60 m/s
Orientação espacial exata Orientação espacial difusa, causando excitação de área bastante extensa no encéfalo
Sensações táteis Sensações dolorosas
Gradações mínimas de intensidade Sensações térmicas
Sensações vibratórias Sensações grosseiras de tato e pressão
Pressão com julgamentos precisos Sensações sexuais
SINAIS BEM DISTINTOS, RECENTES
PARA
O SER HUMANO
SENSAÇÕES SUBCONSCIENTES, COM RESPOSTA AUTOMÁTICA, ADVINDAS DO “ANIMAL INTERNO”.

Frente aos estímulos recebidos que ameaçam a vida, o sistema nervoso tem, de pronto, duas grandes respostas: o ataque e a fuga. O ataque pode ser desde uma demonstração de força até o combate em si; a fuga pode ser uma resposta desde uma corrida no sentido contrário ao atacante até a imobilidade total, num “fingir-se de morto”.

Estar atento às informações que circulam nos tratos dorsal e espinotalâmico, estar consciente da interpretação do córtex somestésico, exige uma atenção plena, uma coragem e honestidade pessoais, pois este é o caminho da realidade do aqui e agora corporal. Esta realidade presentificada expressa o poder do Animal em nós, permitindo a resignificação pelo néo-córtex.

O Animal de Poder, quando acessado de forma consciente através da percepção sensorial, permite que a sabedoria do corpo seja percebida e, consequentemente, as respostas dadas aos estímulos recebidos se tornam mais adequadas e menos distorcidas pelos cortes causados pelos traumas emocionais ocorridos por época do desenvolvimento do ego.

A verdade contida nessa sensação não distorcida vai dar uma informação precisa da realidade do momento vivido. A realidade corporal traz conexões com emoções reais, atualizadas e não fantasmagóricas. Sensações reais, precisas, em conexão com sentimentos atualizados, abrem espaço para pensamentos coerentes e respostas adequadas ao estímulo recebido, liberando o fluxo da Consciência Maior.

Estas respostas adequadas levam ao contato com a inteireza do Ser, ao contato com a Consciência Maior que o Ser Humano busca, desde o seu aparecimento, em rituais, seitas, religiões e interpretações, que incluem toda uma distorção de poder, se forem realizadas de fora para dentro.

Esta conexão com a Consciência Maior é mais facilmente possível, se feita de dentro para fora, a partir do Animal de Poder.




4.A ACELERAÇÃO DO FLUXO ENERGÉTICO PELO ANIMAL DE PODER

Sobre o uso da palavra “ respiração” nesta monografia:

Re – spir – ação
E – spir – ito
In – spir – ar
SPIR, latim, “ que sopra”, “ vento”.

Espírito, pois, é o Invisível - o vento, o ar - que alimenta a chama da vida; é também – o ar – o Invisível todo poderoso, capaz, como o vendaval, de arrastar tudo que encontra pela frente...

Em hebraico, estar salvo, estar em boa saúde, é respirar ao largo, respirar bem e normalmente. Na tradição dos Terapeutas de Alexandria, uma pessoa está em boa saúde quando ela respira com todo o seu Ser, quando a respiração não é interrompida por um bloqueio. Ao respirar livremente, surgem lembranças de quando o Sopro - o Espírito - circulava com liberdade e felicidade em nós; dos momentos em que nos sentíamos levados pelo Sopro; em que não respirávamos mais, mas éramos respirados pela vida. Nosso corpo guarda não só as cicatrizes das memórias negativas, mas também as memórias positivas de beleza e felicidade.

Quando respiramos plenamente, a consciência corporal é também plena e todo o organismo se coloca disponível para responder livre e de forma atualizada aos estímulos recebidos. Desta forma, o Animal, pleno na respiração, está livre para responder com o ataque e a fuga, o que for melhor e mais necessário.

No momento do trauma, ocorre uma imobilidade corporal, um congelamento dos sentimentos e, neste momento, como que paramos de respirar, travando o diafragma, endurecendo a musculatura da região lombar e cervical.

Os animais, uma vez dada a melhor resposta possível ao estímulo recebido, seja ela ataque ou fuga, literalmente sacudirão para fora os efeitos residuais da resposta e reassumirão pleno controle do seu corpo. Então voltarão à vida normal, como se nada tivesse acontecido.

Os seres humanos não fazem assim. O ataque ou a fuga deixam resíduos corporais, formando padrões de comportamento, reforçados pelas crenças errôneas. Isto interrompe o fluxo energético, impedindo o livre trânsito da sabedoria do Animal no corpo.

A chave para curar os sintomas traumáticos no Ser Humano está em sua fisiologia. É importante entender que essa função é involuntária. Isso simplesmente significa que o mecanismo fisiológico, que governa essa resposta, está nas partes primitivas, instintivas do nosso cérebro e sistema nervoso, e que não está sob o nosso controle consciente.

Técnicas aprendidas neste Instituto, os toques sutis e a respiração no “Hara e nas costas”, levam a um contato consciente com os resíduos corporais das respostas dadas em momentos traumáticos, resgatando as percepções sensoriais, independente do tempo e espaço, uma vez que o congelamento vivido permanece na memória celular; permite ainda acessar memórias e ‘re-significá-las’. Se, então, a consciência do Animal de Poder se faz presente, com suas qualidades específicas para situações específicas, o Saber intuitivo faz a guiança do que fazer com o material acessado diretamente do nosso SABER visceral, revelando intuitivamente os pontos a serem tocados, movendo nossas mãos ou até mesmo movimentando o corpo, de uma forma animal, em busca da cura, assim liberando o fluxo da energia vital, arrastando os resíduos causados pelos traumas. Por ressonância mórfica, o Animal de Poder auxilia tanto o cliente quanto o terapeuta.

Cada Animal possui suas qualidades e traz tesouros e soluções para cada situação vivenciada, ajudando nas melhores respostas possíveis. A sombra humana foi sempre imaginada como uma Besta brutal, um selvagem indomável, cuja agressão incansável e apetites insaciáveis se reportam às nossas origens animais. Os próprios animais foram muitas vezes retratados como o demônio, para fazer o papel do Outro: o lobo predatório, o jaguar veloz, a raposa astuta.

À medida que cada camada da sombra é minada da escuridão, o ouro começa a brilhar. Começamos a ouvir o chamado do Self. Não apenas acreditamos em magia, mas passamos a contar com ela.

Contamos com a magia para, por exemplo, nas Jornadas Xamânicas, com a consciência ampliada pelo ritmo do Tambor, conhecer e crescer em intimidade com o Animal de Poder. Ao invés de selvagens indomáveis, os Animais se tornam Guias e Orientadores, tornando-se, a partir da tomada de consciência, aliados no nosso processo de crescimento.

Temos então o lobo, mestre e professor, trazendo o senso de proteção, a habilidade de proteger a si mesmo e à família, enfrentando o fim de um ciclo com dignidade e coragem, ensinando as coisas do espírito; o jaguar, movendo-se sem medo na escuridão, entendendo os padrões do caos e movendo-se para outros mundos;  a raposa, trazendo a camuflagem e a esperteza de usar a máscara certa na hora certa, com cautela e inteligência; o gato doméstico, trazendo a independência, a visão do invisível, o mistério e a magia.

No reino das aves temos a águia, trazendo a acuidade visual, a conexão com verdades mais altas, a habilidade para ver verdades espirituais escondidas, o respeito para com os limites das regiões e a lembrança de que o alimento só e exclusivamente é encontrado no solo, por mais alto que seja o seu vôo; a coruja, trazendo a visão atrás das máscaras, lidando com a sombra pessoal e unindo o masculino e o feminino; o beija-flor, trazendo a inocência de quando éramos respirados pelo Sopro e unindo a brincadeira, a felicidade e o amor; o pardal, trazendo o despertar e o triunfo da nobreza comum, a simplicidade do desejo e da fertilidade.

No reino dos répteis temos o jacaré, trazendo a  conexão com a Mãe Terra, a compreensão das decepções e da função do tempo e o acesso ao conhecimento antigo; a cobra, trazendo a memória da alma do mundo, as recordações de vidas passadas, o crescimento pela destruição e a transmutação da alma; o camaleão, trazendo a paciência, a habilidade para escalar e atingir metas e objetivos, o uso da capacidade de alcançar o alto, como uma ferramenta de sobrevivência, e o uso do sol como fonte de poder; a tartaruga, trazendo a longevidade, a maternidade, o despertar das oportunidades, o conhecimento dos limites do ego e dos limites do outro e a conexão com o centro.

No reino do mar temos a baleia, trazendo o despertar das profundezas interiores, a beleza do movimento e sendo guardiã das memórias; a foca, trazendo sonhos lúcidos, o movimento nas emoções, a criatividade e a proteção durante as mudanças; o golfinho, trazendo a sabedoria, o equilíbrio e a harmonia, o entendimento do poder do ritmo na vida e o uso da respiração para liberar intensas emoções; o leão-marinho, trazendo a vivência em grupo, a defesa do território, a imaginação ativa e o uso sábio de máscaras ferozes.

No reino dos insetos temos a abelha, trazendo a comunicação com os mortos, a compreensão da energia da guerreira, a prosperidade e a fertilidade; a aranha, trazendo a inspiração divina, o entendimento dos padrões da ilusão, tecendo a rede do destino e usando a energia feminina para a criatividade da vida; o besouro, transportando o fio dourado que conduz ao centro do universo, o esclarecimento espiritual e a morte e o renascimento; a formiga, trazendo a energia e a paciência necessárias para completar o trabalho, o planejamento e a vivência em comunidade.

Fazer contato e ter intimidade com o Animal de Poder, conhecer o tesouro oculto nas qualidades de cada animal, permite interpretar, elaborar, re-significar a realidade, atualizando as emoções e permitindo à razão estabelecer novas conexões.

Fazer contato com o Animal de Poder possibilita trabalhar a sombra, enraizar, corporificar e presentificar a realidade. Para sustentar o fluxo, para ser respirado pelo Sopro, para se dar conta da Graça de Deus, é preciso ficar de pé sobre a Mãe Terra. Quando o homem fica de pé, ele toma consciência de si e toma consciência da Consciência Maior em si. Ficar de pé em consciência exige todo um processo de auto conhecimento que passa obrigatoriamente pelas sombras. Sem a consciência do bem e do mal não há como conectar-se com a Consciência Maior. Sem a humanização do Animal interno não há como ser inteiro.

Por estar no topo da escala da evolução, o Ser Humano traz em si os reinos mineral, vegetal e animal. Todos os animais, de alguma forma vivem no Humano. Fazer da própria vida uma Obra de Arte é trilhar o caminho do meio, no qual o único condutor é o Maestro Interior, a Consciência Maior, o INOMINADO corporificado no nosso cotidiano. 

Depoimento de uma cliente

“... Falo com meu Animal de Poder, conhecido por ressonância magnética, quando estive pela primeira vez em uma mata e ouvi o tocar de um tambor. Tudo isso vez emergir a memória deste animal, à minha consciência o que fez abalar as minhas couraças, abriu fissuras na fortaleza onde me escondia, e me fez sentir a dor e a grandeza do animal ferido, encurralado e aprisionado. Todo esse conhecimento adquirido pelo Xamanismo me deu garra, força e despertou o anseio de liberdade. E representei isso na dança do animal e você viu.  Naquela época eu briguei muito com a forma, mas não pude negar o conhecimento novo adquirido. Naquela época, muitas coisas ainda eu não conhecia. E hoje com muito mais conhecimento e experiência, eu só ratifico e agradeço o que o Xamanismo contribuiu para minha transformação e continua a contribuir. O meu Animal de Poder reúne Natureza e Consciência. Eu não economizo espaço para proclamá-lo e referendá-lo...” 



BIBLIOGRAFIA

 

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